terça-feira, 7 de junho de 2011

Contra espaços pequenos, abuse de armários e espelhos

Por Lugar Certo

Especialistas dão palpites valiosos de como deixar bonitos e aconchegantes os pequenos ambientes



Com os altos custos dos imóveis no Distrito Federal, a tendência do mercado é oferecer apartamentos cada vez menores. Isso acentua o problema da falta de espaço. Como colocar cada móvel no devido lugar? É essencial que objetos não aparentem estar empilhados, compondo uma completa bagunça.



O arquiteto e designer Glaucio Gonçalves, fundador do Espaço Brasileiro de Arquitetura (EB-A), dá algumas alternativas para aproveitar cada canto da casa. O especialista garante que, em primeiro lugar, é essencial levar em consideração todos os hábitos e necessidades de quem mora no local. O intuito é organizar o ambiente para que coincida com a personalidade do morador.



Assim, é necessário que se faça um levantamento do mobiliário existente. Se algum móvel não estiver mais de acordo com o espaço, a ideia é reaproveitar, dando a ele novo uso ou aparência. Se for adquirir novas peças, opte por aquelas que tornem os ambientes funcionais e práticos. É importante para que o dia a dia fique o mais organizado possível.



"Integre a cozinha à sala e à área de serviço. Assim, consegue-se uma maior amplitude e iluminação", sugere Glaucio Gonçalves. Ele ainda destaca a importância do uso de luz adequada para que, com claridade, o ambiente pareça maior e mais aconchegante. Para separar os cômodos da casa de forma sutil, o uso de cortinas em voal é indicado.



A arquiteta Maria do Carmo Araujorge ensina que uma grande alternativa é ter a maior quantidade de armários possíveis, para que os objetos mantenham-se organizados. "Utilizar espaços como embaixo das camas também é uma boa opção".

Espelhos também são aliados para gerar uma impressão de profundidade. "O uso é a melhor alternativa para fornecer a sensação de espaços maiores, já que brinca com os nossos sentidos", afirma. De acordo com a arquiteta, utilizar objetos e móveis com múltiplas funções é interessante. "Colocar a televisão em um móvel giratório, que possa atender a dois cômodos, como o quarto e a sala, é uma ideia que economiza espaços", acrescenta.

Banho espaçoso



O Box Flex, da marca Ideia Glass, garante flexibilidade para pequenos ambientes. Composto de dois vidros, dobradiças e trilho deslizante na parte inferior, o espaço de abertura da porta é reduzido. O Boxflex pode ser usado para pequenos vãos, a partir de 60cm, sendo ideal para ambientes reduzidos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

7 aspectos para começar e construir uma carreira em arquitetura ou design

Por Glaucio Gonçalves

A construção civil vive um de seus melhores momentos. Com o maior acesso da classe C à casa própria, a economia favorável e o advento dos jogos esportivos internacionais no Brasil – Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas Rio-2016 –, as profissões de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Design de Interiores estão entre as mais promissoras. Entretanto, tenho visto muitos alunos e recém-formados me questionando sobre como começar, quais as principais áreas de atuação, como está o mercado, qual caminho seguir, como se tornar empreendedor. Ou seja, estão ansiosos por respostas sobre o setor.

Alguns aspectos são fundamentais para que possamos responder a essas questões e, principalmente, para que os profissionais possam começar e construir uma carreira de sucesso, como profissional liberal ou funcionário. Ao longo de quase 15 anos de profissão vivenciei situações e oscilações no mercado que hoje me fizeram definir sete aspectos fundamentais para construir uma carreira.



O primeiro é o autoconhecimento, que nos permite saber o que realmente queremos, onde podemos chegar, entender e respeitar as ansiedades e expectativas de nossos clientes, superiores e colegas de trabalho. É com ele que temos segurança e tranquilidade diante das situações que possam acontecer no decorrer do processo, além de discernimento para captar a essência e as características do cliente, projetando-as nos detalhes da obra, criando uma identificação com o trabalho realizado.

O segundo aspecto e que faz grande diferença neste meio é a humildade. Esta palavra tem um poder enorme quando colocada em prática na sua verdadeira essência e em prol de todos que nos cercam. Quanto maior for o sucesso e reconhecimento profissional, muito maior deve ser a humildade.

Para quem deseja fazer a diferença, outro aspecto deve ser levado em conta: a perseverança. Mesmo com o mercado aquecido e com tantas oportunidades, é preciso perseverança e determinação para conquistar um lugar de destaque no mercado, pois, da mesma forma que aumentam as chances, cresce também o número de concorrentes.

Assim, é preciso muito suor e força de vontade para se chegar aonde almeja. Ousadia e a inovação também são imprescindíveis. É necessário arriscar e ousar sem medo. Grandes profissionais se destacam por terem ideias inovadoras, mesmo que num primeiro momento a tomem como loucura. Porém, com paciência, alguém vai enxergar e acreditar, e aí pode estar um grande divisor de águas na carreira de um profissional. Acredite!

O quinto aspecto são as parcerias. Impossível nos dias de hoje e no mundo em que vivemos não trabalharmos em parceria. Para que um trabalho renda ótimos frutos é de extrema importância que tenhamos parceiros fiéis e uma equipe solidária, pois dessa forma conseguiremos exercer com excelência aquilo que nos é dado como dom.

Para quem está envolvido com a construção civil, uma das maiores destruidoras e poluidoras do meio ambiente, um aspecto de extrema importância é a sustentabilidade. É indispensável abordar o desenvolvimento sustentável na construção civil e torná-lo real, não somente sob o ponto de vista do mercado, como também do compromisso social e de toda a humanidade. Assim, com o uso de recursos simples e urgentes, possibilitaríamos uma nova realidade para a arquitetura e para a humanidade nos próximos anos.

Por fim, o aspecto mais importante de todos: a fé. Acreditar que o impossível pode se tornar possível. A fé que nos ensina a nos curar e nos conhecermos a cada dia mais, que faz com que sejamos mais humildes, que nos dá força nos piores momentos para enfrentar as dificuldades e acreditar que superaremos e sairemos vencedores, que nos dá sabedoria para ter uma ideia inovadora e ousada, que coloca em nossas vidas parceiros que nos ajudarão a construir uma trajetória de sucesso e que faz com que possamos criar possibilidades de preservar o que de mais incrível e perfeito pode existir: a natureza. Aliar todos esses aspectos, ter paciência e entender que às vezes uma pequena fresta que surge em nossa vida pode levar a uma grande porta de sucesso é a chave para construir uma carreira sólida e bem sucedida.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

10 iniciativas que as pessoas podem aplicar em casa para ajudar o meio ambiente

Pontos fundamentais para aplicar em casa e que se feito em larga escala contribuirão e muito para o meio ambiente:



1)Economize água, segundo a ONU aproximadamente 2 bilhões de pessoas sofrem com a escassez de água. Ao invés de urinar no vaso sanitário, faça no chuveiro: a medida simples ajudaria a economizar água da descarga. E para quem mora em casa, faça captação de águas pluviais para molhar as plantas e reutilizar nas descargas. Reutilize a água da máquina de lavar para a lavar o quintal e calçadas.

2)Apague a luz que não utilizar e abra as janelas, desligue o ar condicionado sempre que possível, utilize o chuveiro e o ferro de passar conscientemente e utilize lâmpadas econômicas e de LED em ambientes de longa permanência.

3)Não compre nem cozinhe mais alimentos do que vai consumir. O lixo úmido (restos de comida) deve ser separado do seco (plásticos, vidro, latas, papéis e metais). O material reciclável deve ser posto em sacos transparentes, para facilitar a identificação

4)Desligar o equipamento eletrônico da tomada. Estima-se que, em média, 15% da conta de eletricidade de uma residência se deva ao consumo de aparelhos em stand-by. Aí está uma providência simples que resulta em economia de energia (em outras palavras, reduz o uso de recursos naturais e a emissão de gases do efeito estufa) e alivia o peso da conta de luz.

5)Coleta seletiva e reciclagem. Papel, vidro e plástico são recicláveis, com vantagens óbvias para a natureza. Economizam-se matéria prima e energia. Evita-se o acúmulo de detritos em aterros e lixões. O problema é como fazer isso. Raras cidades brasileiras têm coleta seletiva de lixo. Em São Paulo, por exemplo, esse tipo de serviços só atende a 20% das residências. Em muitos lugares, o melhor a fazer é encaminhar o material reciclável para instituições ou cooperativas de recicladores.



6)Substituir sacolas de plástico. A sacola de plástico é a atual vilã do ambientalismo. Sua substituição pelas de papel é a primeira – e muitas vezes a única – atitude sustentável que pessoas e empresas estão dispostas a adotar. Em decorrência disso, o consumo de embalagens de papel no Brasil aumentou 30% desde o ano passado. O plástico das sacolas demora quatro séculos para se decompor na natureza, usa petróleo como matéria-prima e, se jogado em rios e mares, provoca a morte de animais que engolem o resíduo.

7) Parar de jogar óleo na pia. O óleo que é jogado na rede de esgotos ajuda a formar uma massa compacta de detritos que entope as tubulações e contribui para inundações. Quando contamina os reservatórios, o óleo torna mais caro e trabalhoso o tratamento da água para uso nos domicílios. Uma boa prática é recolher o óleo usado e encaminhá-lo a uma instituição ou empresa que cuide de sua reciclagem.

8) Compre a produção local. De modo geral, as verduras e as frutas disponíveis nos supermercados viajam longas distâncias até chegar a seu destino final. Imagine a emissão de gás carbônico decorrente dessas longas travessias. Em relação aos produtos importados, prefira os transportados por navio, que causa cinco vezes menos impacto na emissão de poluentes em comparação ao frete rodoviário. Logo, ir à feira é uma atitude sustentável.

9)A limpeza de casa pode ser sustentável também. Use capachos nas portas de entrada e retire sapatos para entrar na casa e impedir a entrada de sujeira pode evitar o uso de vários produtos de limpeza. Arrumar os ambientes aos poucos e não deixar a sujeira acumular economiza tempo e material. Produtos de limpeza precisam de tempo para agir. Deixar de molho pode ser mais eficiente que lavar mais de uma vez. O mesmo vale para chão e outras superfícies, como pias.

10)Utilize mais a escada se tiver de subir ou descer dois andares. Economizará energia elétrica e contribuirá com sua saúde também.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Dez dicas para reformar pequenos espaços



Com os apartamentos cada vez menores, fica difícil conseguir espaço e, principalmente, deixá-lo bonito, amplo e aconchegante. Tudo que ninguém quer é aquela impressão de que móveis e objetos estão empilhados, mais parecendo uma enorme bagunça. Na hora de iniciar a reforma, vários aspectos devem ser analisados antes de sair mexendo em tudo. O arquiteto e designer Glaucio Gonçalves, fundador do EB-A – Espaço Brasileiro de Arquitetura –, dá algumas dicas.




1. Leve em consideração todos os hábitos, hobbies e necessidades de quem mora no espaço;
2. Não se esqueça do estilo – pense naquilo que mais tem a ver com a sua personalidade;
3. Faça um levantamento do mobiliário existente. Tente reaproveitá-lo, dando novo uso ou aparência a eles;
4. Faça uma estimativa dos gastos para adequar o projeto às necessidades;
5. Caso a reforma seja realizada em todo o apartamento, faça um planejamento para que seja executada em etapas;
6. Decore deixando os espaços funcionais e práticos para que no dia a dia fique o mais organizado possível;



7. Integre a cozinha à sala e à área de serviço. Assim, consegue-se uma maior amplitude e iluminação;
8. Crie ambientes aconchegantes através de uma iluminação adequada;
9. Separe os ambientes de forma sutil, seja através de cortinas em voal, com o auxílio do mobiliário ou apenas por diferentes tipos de piso;
10. Utilize materiais e revestimentos de fácil aplicação, como papel de parede, laminados e cortinas. Além de serem práticos, permitem uma mudança rápida e de impacto.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pouco espaço, muita criatividade e conforto

Num apartamento com apenas 30 m², aproveitar cada ambiente é fundamental



Com a procura cada vez maior por imóveis de um quarto, designers e arquitetos têm se preparado para essa nova demanda do mercado. Deixá-lo com a cara do cliente, prático e moderno, mas acima de tudo aconchegante, nem sempre é tarefa fácil, principalmente quando se tratam de 30 m². Essa foi a missão do arquiteto Glaucio Gonçalves, do EB-A – Espaço Brasileiro de Arquitetura.


Localizado na Chácara Klabin, zona sul da capital paulista, o apartamento, tipo estúdio, foi projetado para quem mora sozinho e, apesar do pouco espaço, não abre mão do conforto. Todo o projeto foi feito em etapas, já que o proprietário continuava morando no apartamento, mesmo durante a execução.



Em seus projetos, Gonçalves sempre respeita o meio ambiente. Exemplos são os armários da cozinha, todos reaproveitados, trocando apenas os revestimentos e a utilização de laminado, na sala e no quarto, e tecnocimento, na área de serviço e cozinha, sempre por cima do piso existente, diminuindo a quantidade de entulho. Além disso, um futon em cor laranja, que antes era utilizado como cama, ganhou nova utilidade. Transformou-se no assento do sofá, que foi todo estruturado com caixas de feira pintadas de preto.



Glaucio buscou aproveitar ao máximo todos os espaços. Na cozinha, em vez de optar por um fogão, foi usado um cooktop de 2 bocas. Na sala, uma cortina em voal branco divide o espaço em dois ambientes, dando leveza e integrando-a ao quarto, onde foi utilizado uma cama box com baú embaixo para compensar a falta de espaço para armários no apartamento.



Outro detalhe na decoração do apartamento é a harmonização dos ambientes. O tanque da área de serviço foi embutido no granito preto, dando continuidade à decoração da cozinha. Na sala, um papel de parede em listras tom pastel compõe com a tonalidade do piso. No lavatório, a decoração em tons de preto e branco harmoniza com os armários da cozinha.



Apesar do pouco espaço, o trabalho realizado por Gonçalves tornou o apartamento funcional, moderno e aconchegante, exatamente como o proprietário queria. E o melhor, evitando os transtornos da busca por um novo imóvel.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Arquitetos do Mundo

Por Anne Galvão

Movimentos estéticos como o Futurismo e o Modernismo, inspirados pela arquitetura de Le Corbusier, Walter Gropius, Mies Van Der Rohe e Frank Lloyd Wrigth, criaram no Brasil da década de 1920 um grupo revolucionário de engenheiros que revelaria nomes como Lucio Costa e Oscar Niemeyer, dupla responsável pelo projeto e construção de Brasilia, a capital federal. Além de Niemeyer, consagrado como um dos gênios da arquitetura de todos os tempos, nomes como o da ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, que se destacou pela autoria do prédio do Museu de Arte de São Paulo (Masp), ajudaram a consolidar a arquitetura brasileira.

Agora, décadas depois desse primeiro movimento, um novo time de profissionais criativos está revigorando a arquitetura atual e conquistando novos mercados, pincelando de impressões brasileiras as construções empresariais e civis da África, Estados Unidos e Europa. O fenômeno se explica por diversos fatores a começar pelo histórico de políticas de bom relacionamento comercial do Brasil com os países, somado à flexibilidade e criatividade características dos profissionais brasileiros.
Um dos atuais exemplos de sucesso da arquitetura nacional é Débora Aguiar. Ela assina os projetos dos escritórios de Impsat em São Paulo , Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba, além de empresas como Optiglobe, Tess e AT&T. Débora começou a atuação no exterior em 1993, com a implementação de uma grande residência em Orlando, nos Estados Unidos. A partir daí, as portas se abriram.

O projeto foi tão bem escrito que trouxe mais clientes para construções residenciais e corporativas em Miami, Montreal, Orlando e Buenos Aires. “Em 2006 o nosso trabalho no mercado imobiliário em São Paulo e no Rio de Janeiro atraiu investidores americanos canadenses e sul-africanos para projetos de mercado imobiliário nos Estados Unidos, Canadá, Espanha, África do Sul e Dubai”, explica.

Com 18 anos de profissão, atualmente Débora lidera projetos brasileiros que estão em andamento ou em fase de execução em Angola, na África. “O jogo de cintura, aliado à velocidade e iniciativa para oferecer soluções é nosso diferencial. Nós, brasileiros, somos mais flexíveis e propícios a trabalhar com imprevistos, e isso é um atrativo para os estrangeiros. O investidor que contratar um profissional que ofereça experiência e soluções com segurança e excelência no planejamento, desde a concepção da criação ao planejamento, além de cronogramas, controle de budgest, montagem final e entrega do projeto”, argumenta a arquiteta.

Ela aponta uma variável de 20% a 30% de acréscimo em projetos internacionais frente aos nacionais, sendo a mesma porcentagem de lucro sobre um projeto de urgência no Brasil. “Um projeto bem resolvido em todas as suas etapas significa uma economia e tanto para o investidor em controle de prazos e disponibilidade financeira”.
O Espaço Brasileiro de Arquitetura (EB-A) ganhou a concorrência para o desenvolvimento do estande da petrolífera Esso Angola na Feira Internacional de Luanda, capital do País, em 2006. O sucesso do projeto no pavilhão iniciou uma série de trabalhos realizados em Angola, inclusive a contratação de serviços de decoração e reformas por clientes físicos, o que impulsionou a abertura da primeira filial do EB-A no exterior.

Apesar do sucesso, Gláucio Gonçalves, arquiteto fundador do EB-A, sente as dificuldades de atuar em um território peculiar. “Angola vive um período delicado em seu processo de desenvolvimento e tem um custo de vida altíssimo. Em função disso, planejamos todos os projetos no Brasil, de modo a possibilitar que a filial ofereça preços muito abaixo do padrão angolano. Os custos dos projetos têm uma variação geralmente 30% mais alta do que se aplica no mercado brasileiro”.

No sudoeste do continental africano, Angola esteve devastada desde 1961, a princípio pela luta contra o colonialismo de Portugal e depois pela guerra civil atracada entre os partidos que formavam os movimentos de libertação. Como conseqüência, o País está em um processo acelerado de desenvolvimento para remediar tanta miséria.
Em Angola, o EB-A tem trabalhado empreendimentos residenciais, comerciais e de design de interiores. “A execução de qualquer projeto aqui é muito complicada, devido à carência de materiais e mão de obra qualificada. A maioria dos materiais é importada, fazendo com que o custo do metro quadrado da construção civil em Angola seja um dos mais caros do Mundo.” Gonçalves cita o exemplo de uma casa de aproximadamente 160 metros quadrados com dois dormitórios e uma suíte, no bairro Nova Vida, na capital Luanda. “Pode ser vendida a U$ 900 mil e alugada a U$ 10 mil mensais, com um pagamento antecipado de seis meses.”

O tempo para a execução de um projeto deste porte varia muito, principalmente pela demora para a liberação de materiais congestionados no porto. “É muito importante que o projeto seja feito em parcerias com as empresas locais que executarão a obra, para agilizar o processo.”

O governo angolano investe na diversificação da estrutura do Produto Interno Bruto (PIB), que hoje depende essencialmente do petróleo e diamantes. A oportunidade fez com que as vendas brasileiras para esse mercado fértil alcançassem quase US$ 2 bilhões em 2008. O País ocupa agora a 24º posição entre os destinos das exportações brasileiras, à frente de países como Canadá, África do Sul e Austrália.
“Absolutamente tudo, de armários a copos e roupas de cama, é exportado. Lá eles vendem o apartamento completo e, por isso, precisamos deixá-lo perfeito para receber um morador”, conta Débora.

A concorrência entre os arquitetos disponíveis enfatiza a criatividade e a eficiência no desenvolvimento e execução dos projetos com grandes diferenciais da arquitetura brasileira do mercado exterior. “Os angolanos gostam muito da arquitetura brasileira. Angola está no hemisfério sul, no paralelo de Recife, o que acredito ser relevante, pois é uma realidade próxima da nossa”, explica o arquiteto.
Gonçalves também esclarece que o EB-A busca incorporar conceitos sustentáveis em todos os projetos realizados o que contribui para o crescimento da empresa. “Temos como filosofia tornar imprescindível a utilização de aspectos sustentáveis mínimos para a preservação de empresas, sob o ponto de vista do mercado e do compromisso social. Essas preocupações certamente permitiriam a infiltração do EB-A no mercado angolano.”

Arquiteto elaborador de projetos um tanto característicos, Arthur Casas ganhou o primeiro lugar do Best City Hotel, nos EUA, em 2000, e o Red Dot Design Award, prêmio alemão, por uma linha de cutelaria e jantar em 2008, além de diversos prêmios nacionais. Interessado em ampliar mercado, ele abriu um escritório nos Estados Unidos em 1999. “Escolhi Nova York por ser uma cidade cosmopolita internacional, não só americana. É um dos centros do Mundo, para onde as pessoas que fazem negócio costumam ir ao menos uma vez ao ano. Além disso, a diferença de fuso horário é pequena em relação ao Brasil e há uma facilidade de locomoção devido à grande quantidade de vôos daqui para lá e vice-versa.

Casas contratou uma agência para ajudar na divulgação de seus trabalhos e ia pra Nova York uma vez ao mês, até as coisas deslancharem. Atualmente, ele administra o tempo entre projetos residenciais e coorporativos para qualquer lugar do Mundo, e o faz com extrema facilidade. “Como arquiteto, não preciso mais viajar tanto, mesmo que os investidores nem sempre sejam locais. Tenho um projeto em Paris, por exemplo, mantido por um grupo da Venezuela. Ligo, mando emails, faço videoconferências com o cliente. Temos a tecnologia a nosso favor”, afirma.

Por conta da crise, o arquiteto tem muitos projetos parados nos EUA, fato menos usual no Brasil, segundo ele. “No Brasil não sinto crise alguma na arquitetura, pois trabalho com clientes elitizados. A crise deve afetar mais quem depende de financiamentos.”

Ainda assim, um projeto de sua autoria em Nova York tem uma margem de lucro que varia entre 20% e 25% sobre o valor da implementação. “Como base de cálculo, em um apartamento de 250 metros quadrados, de altissímo padrão, em que o cliente pretende investir US$ 1,5 milhão, o projeto sai por aproximadamente US$ 375 mil. Aqui, um projeto deste mesmo padrão renderia 100 mil reais.”

Projetos deste porte levam cerca de um ano para serem concluídos, por conta de complicações no andamento da aprovação final. Apresentação, conceito, orçamento e execução passam por uma série de etapas de aprovação que vão desde a prefeitura local até a comissão de donos dos apartamentos no caso de um condomínio residencial. “O arquiteto brasileiro tem jogo de cintura e flexibilidade para mudar o projeto quando necessário, é fácil de lidar. Isso ajudou o Brasil a entrar no circuito internacional.”

Ele esclarece que muitas vezes a busca de estrangeiros por arquitetos brasileiros é resultado da busca por um profissional bom e barato. “Nos Estados Unidos, por exemplo, alguns arquitetos brasileiros chegam a cobrar um quinto do valor que os profissionais americanos cobram, sendo que um projeto fora do próprio País implica várias responsabilidades a mais.”

Um concurso para eleger o projeto do pavilhão brasileiro na Exposição Universal, um dos mais importantes eventos do calendário global – juntamente com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos -, foi realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportadores e Investimentos (Apex – Brasil) em conjunto com a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA).

Em aliança à classe comercial de áreas específicas, a Apex – Brasil cria meios de incrementar profissionais brasileiros no cenário internacional para fortalecimento da imagem. No caso da arquitetura brasileira, se esforça para construir um ambiente favorável ao desenvolvimento de uma cultura exportadora.

A edição 2010 da exposição será em Xangai, na China, e entre os 65 projetos inscritos no concurso, o do arquiteto Fernando Brandão foi escolhido. “Desenvolvimento Urbano com Qualidade de Vida” é o tema da Expo Xangai, que ocorrerá de 1º de maio a 31 de outubro de 2010 e contará com a participação de 173 países.

Débora Aguiar esclarece que o tema sustentabilidade não é modismo. “É determinante. Hoje o investidor tem consciência das vantagens que isso pode proporcionar no resultado final do seu lançamento ao oferecer conforto, bem-estar e aumento da qualidade de vida.” Engrossando o coro, Casas acrescenta: “materiais sustentáveis chegam a aumentar em 10% o custo sobre valor total do imóvel, mas é um investimento que se paga e é muito valorizado globalmente.”

Projeções da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que até 2030 cerca de 60% da população mundial viverá em cidades. Esta realidade traz um novo desafio aos arquitetos e reafirma a importância da profissão. O que se prevê, então, é um novo formato no planejamento urbano, com uma gestão focada na melhoria da qualidade de vida dos complexos centros urbanos, tendo como base a preservação ambiental e funcionalidade, sem deixar de lado a estética. E os arquitetos brasileiros estão garantindo o seu lugar.